Por Marcelo Reis
O grito de guerra na concentração do Eletro, antes de entrar no palco, estava entalado na minha garganta. Explico: em 1994 eu era público no primeiro – sim, primeiro dia do Humaitá pra Peixe, sonhando um dia estar do outro lado. Em 2005 eu voltava lá, como empresário do Som da Rua, que devido a problemas técnicos não fez uma performance à altura do seu potencial. Em 2006 mais um retorno. Desta vez para produzir um tributo ao recém falecido Liô Mariz. Triste!
2007 – a hora do Eletro! A ansiedade, a mão suando, o coração batendo forte. Todas estas são sensações que antecedem à entrada no palco do mais charmoso e importante festival carioca. O grito foi mais forte que nunca e a alma foi lavada com uma noite histórica para mim e, tenho certeza, para toda cena carioca, que se fez fortemente presente.
Uma casa lotada, superando expectativas, dois grandes shows (Reverse e Eletro) e um público sedento pela boa música, transformaram este domingo em um dia extremamente especial, que provou que há espaço para canções, bonitas melodias e união entre artistas.
Como disse um amigo:
“– Dava vontade que este show não terminasse nunca”.
Parabéns ao Bruno Levinson e toda sua competente equipe por este brilhante e duradouro trabalho. O Humaitá é um retrato fiel de uma nova cena da música brasileira. Sua diversidade permite que a canção, o Emo, o samba, o experimental, convivam juntos, em um espaço democrático e, diga-se de passagem, muito bem organizado. A valorização não só da música, como também dos empresários, produtores e equipes técnicas também faz muita diferença!
Foi muito bom gritar com vontade e ouvir muitos gritos dentro do “aquário” do Sérgio Porto.

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