Por Joca Vidal
A primeira noite dedicada ao samba na história do Humaitá Pra Peixe foi aprovada com louvor. Dois dos maiores representantes da nova guarda do samba, que não deve nada á antiga, Edu Krieger e Casuarina fizeram espetáculos memoráveis onde demonstraram grande talento e, principalmente, que a força da cena de samba no Rio continua forte.
Sábado, dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade. Muita gente nova compareceu ao Sérgio Porto, transparecendo a renovação que o samba passa, tanto na Lapa como na Zona Sul. Edu abriu os trabalhos para uma platéia atenta e que já conhecia sua música. Cantando músicas inéditas de seu cd independente, Krieger comprovou ter talento como compositor em suas primeiras canções "A Escada" e "Novo Amor". "Saber Ganhar" foi dedicada aos amigos do Casuarina, constantemente citados durante o show como "irmãos da Lapa e da vida".
Flertando com o rock e a MPB, Edu demonstrou um grande domínio de palco. A platéia predominantemente feminina, vestida de saias e sandálias rasteiras, abriam rodas de dança no salão. No telão, imagens da Lapa e de peladas (de futebol) no Aterro. Mais carioca impossível.
Edu foi acompanhado de uma excelente banda, formada pelo seu irmão Fabiano Krieger, do Brasov, na guitarra, o "mestre" PC Castilho na flauta, Gabriel Gethi nos teclados e sanfona, o pernambucano Naílson Simões na percussão e Fabiano Salek na bateria. O Brasov, inclusive, teve grande parcela no sucesso do show, como brincou Edu ao lembrar que, além do seu irmão ser um dos membros da banda, seu disco foi produzido por Lucas Marcier, o técnico de som também era o mesmo do grupo e até o roadie eles tinham em comum.
Agradecendo ás rádios especializadas em música brasileira, Krieger apresentou "Temporais", composição sua e de Geraldo Azevedo ("que finalmente consegui tirar da toca para participar de meus show de lançamento do cd terça, no Teatro Rival", disse ele). A contagiante "Ela Mora Longe" fechou com a sensação de dever cumprido, o que foi comprovado logo após no camarim, quando foi cercado por jornalistas e de pessoas querendo parabenizá-lo.
Quando o Casuarina subiu ao palco, o público já era bastante numeroso. Liderado por João Cavalcanti, filho do cantor Lenine, e por Gabriel Azevedo, o grupo demonstrou habilidade e profissionalismo. Com a cancha de várias apresentações na Lapa e em cada vez mais palcos da cidade, os músicos fizeram um show descompromissado, tranquilo e dançante.
Também apresentando um trabalho autoral, o Casuarina conta com a força das composições de João, como "Certidão", "Largo do Machado", "É João", "Peçonha" e "Parcimônia", esta composta em parceria com Teresa Cristina. João Fernando, que toca bandolim, e Gabriel Azevedo também não ficam atrás. Mantiveram o pique com "Dilemas do Universo" e "Arco-Íris", de Daniel, e "Certidão" e "Empoeirado", de João. "Onda de Poeta", "A Roda Morreu" e "Incostante", compostas pelos três compositores em conjunto, comprova que a nova geração veio para ficar.
Clássicos do samba também tiveram vez. "Chiclete com Banana", imortalizada na voz de Jackson do Pandeiro, "Swing de Campo Grande", dos Novos Baianos, e "Canto de Ossanha", de Baden Powell, mantiveram a galera rodopiando pela pista. O pedido de bis não pôde ser atendido por causa do horário, o que foi lamentado por todos, mas o que ficou é que Casuarina e Edu Krieger fizeram história no festival e aumentaram seu público. Gente que nunca tinha ouvido seu som ficou fã, assim como eu.
Joca [23 de janeiro de 2007]
obrigado, Ana, pela retificação.
Vicente Lino [23 de janeiro de 2007]
Como encontrar o disco, em B. Horizonte?
Ana [22 de janeiro de 2007]
O técnico de som não era o mesmo do Brasov. Ele é um membro da banda, o saxofonista, Daniel Vasques.

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