Por Joca Vidal
O terceiro final de semana de shows do Humaitá Pra Peixe começou um pouco devagar, com o público demorando a dar as caras no Sérgio Porto. Seria o dia de sol que finalmente apareceu neste janeiro cinzento ou o trânsito que castigava a zona sul? Bom, já eram quase 8 da noite quando Rodrigo Bittencourt subiu ao palco com sua banda. Com uma máscara, o cantor, compositor, cineasta e poeta cantava a capella e os músicos faziam ruídos com seus intrumentos. Até que um problema com o técnico de som irritou a banda, que se retirou do palco protestando, como se o público tivesse alguma culpa disso. Após alguns minutos, Rodrigo começou seu show de verdade e agora era pra valer.
A primeira música foi "Coleção de Amores", dele e de Jorge Mautner e que dá nome a seu novo cd. Assim que ela acabou o público percebeu que Rodrigo era um bom cantor e, acima de tudo, desinibido, mas mostrando um pouco de nervosismo. Solto no palco, andando pela platéia e cumprimentando amigos, Bittencourt fazia de tudo para agradar . "Poetinha", uma homenagem a Vinicius de Moraes, parece que conseguiu este objetivo. Até que em "Aquele Canalha" o seu violão não dá sinal de vida, mas o show continua mesmo assim. Rodrigo estava mais à vontade.
Em momento solo, tocou teclados e programação, mostrando forte influência dos anos 80 e tendência ao experimental. "In Bloom", clássico do Nirvana, ganhou releitura em estilo bossa-nova e contou com a participação de Marcelo Câmara no violão. Outra releitura, dessa vez do Titãs e sua "Deus e o Diabo", mostrou sua face mais pesada, beirando o hard rock.
Apesar dos imprevistos, Rodrigo fez um show divertido. Sua banda de apoio merece grande destaque, já que é formada por músicos tarimbados como Billy Brandão (Marisa Monte, Frejat), Shilon (Baia e Rock Boys), Nilo Romero (Cazuza, Moska), Sasha Amback (Lulu Santos) e Vidaut (Maldita).
Érika Machado, a segunda atração da noite, conseguiu reunir um monte de curiosos em busca de uma nova revelação da música. Ao contrário de Rodrigo, Érika era mais discreta e intimista e seu repertório era quase todo de baladas. Mostrando "No Cimento", cd lançado em 2006, ao público carioca, a mineira com voz doce e suave combinou o repertório integral do disco com músicas inéditas. "Eu", parceria com John Ulhôa, guitarrista do Pato Fu, foi executada com o próprio na guitarra. John lembrou que há 10 anos sua banda estava fazendo no mesmo palco um dos shows mais importantes de sua carreira. A influência do Pato Fu é tão grande em seu trabalho que ela incluiu "Antes que Seja Tarde", sucesso da banda mineira, no repertório do show.
Tocando violão, guitarra, escaleta e abracadeira, Érika comprovou ser um talento prestes a estourar. Se depender do seu inseparável ursão de pelúcia, o mesmo que ilustra seu site e que assistia ao show sentado quietinho na arquibancada, seu sucesso é garantido.
Anonymous [22 de janeiro de 2007]
Por Vanessa Amaral
RIO DE JANEIRO (Da Redação Click21), 20 de janeiro – Dando início à terceira semana do Humaitá Pra Peixe, os shows da sexta-feira, dia 19, trouxeram dois artistas com trabalhos bastante diversos e com muita energia para mostrar - Rodrigo Bittencourt e Érika Machado.
Quem abriu a noite foi o carioca Rodrigo Bittencourt. Com um som que flerta com a bossa nova, o jazz, o samba, o samba-funk e também com o rock, o músico, que traz a performance cênica com jogo de máscaras para o palco, tem um repertório vasto e arrebatador. A platéia, atenta, permaneceu sentada para apreciar, tal qual um espetáculo teatral, toda a energia dionisíaca de Rodrigo e a polidez apolínea de sua música.

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