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Capital da Dúvida
Arquibancada lotada no debate que encerrou a etapa Sérgio Porto do HPP 2007
29 de janeiro de 2007

Por Bruno Maia

Foto Joca VidalEnquanto os agentes da nova (e forte) indústria da música – não confundir com a falida indústria fonográfica – vão se ajeitando até encontrar um modelo de negócio eficaz para o século XXI, a dúvida ainda é o grande capital. Até por isso, é esquisito se fazer um festival de música hoje em dia sem se pensar na discussão que tangencia quem está num palco. Os debates também estão virando grandes eventos, com bom público e discussões pertinentes.

Foi o quinto ano seguido em que a trupe do HPP abriu a discussão sobre o tema “O mercado da música para novos talentos”. Por mais que se proponha um tema, em um debate aberto, nunca se sabe muito bem até onde as coisas vão. O que se viu no Sérgio Porto foram as cadeiras lotadas de músicos, jornalistas, empresários, curiosos, consumidores e outros afins. Gente que, em comum, tem a paixão pela música; desde os pais que, dentro de todo o amor e zelo que só quem é pai é capaz de ter, compareceram para perguntar se deveriam apoiar o filho que queria ser músico, até pessoas com perguntas mais específicas sobre determinados tipos de práticas da indústria. Essa é a idéia do HPP, falar com todo mundo.

Várias bandas, como Reverse, Isadora, Eletro, Lasciva Lula e Ramirez estiveram representadas por lá. O DJ Lúcio K também marcou presença lançando questão sobre a melhor forma de um artista novo editar suas músicas. Outros se empolgavam com a possibilidade do diálogo com grandes nomes da indústria e, por vezes, tentavam transformar em monólogo. Mas isso também faz parte.

Ricardo Chantilly, empresário de Leandro Sapucahy (e ex-Jota Quest) trouxe questões importantes de quem já lidou com muito jabá por aí. Liminha, grande nome da história da indústria fonográfica brasileira – mas que já saiu dessa canoa (que ainda está) furada para abrir seu próprio selo e lançar novos artistas – também ajudou a clarear a mudança dos tempos. O advogado Marcelo Goyanes ajudou a elucidar algumas distorções apresentadas sobre a situação da pirataria no Brasil, além de reforçar a idéia de que não há soluções perfeitas para nada: “Acabei de voltar do Midem. Achei que teria várias novidades pra contar, mas eu só consegui voltar com mais dúvidas do que eu tinha antes de ir”.

Foto Joca VidalFiamma Zarife, gerente de conteúdo da Oi, teve a chance de falar pela primeira vez para consumidores: “Até hoje, eu só tinha participado de debate com o pessoal de telecom”, admitiu. Através dela, foi possível conhecer um pouco melhor a forma que as telefônicas encaram o conteúdo gerado pela música. “A Oi não é uma empresa de tecnologia, é uma empresa de comportamento”, disse. Ao ser perguntada se a Oi não pensava em ter seus próprios artistas, que gerassem conteúdos exclusivos, Zarife admitiu que a idéia de abrir um selo passa pelas reuniões internas da empresa. “Acho que você acabou de descobrir o mais novo negócio secreto da Oi”, emendou Chantilly, para a moça que havia perguntado.

O jornalista Leonardo Lichote marcou presença afirmando que a revolução digital não acontece só no tráfego de músicas via web, mas também no crescimento dos blogs, que se tornaram um novo filtro de informação que alimenta tanto a grande mídia, como diretamente o consumidor. Marcos Sketch, produtor do Ramirez e de outras bandas iniciantes, falou da experiência com uma nova geração que ainda não aprendeu a pensar pequeno. “O cara que está começando, ainda tem na cabeça o modelo das grandes bandas que ele viu tocar. Há um espaço nessa mudança. Acho que a próxima geração, aquela que esteve aqui no HPP vendo o Móveis Coloniais de Acaju tocarem pra 300 pessoas, essa, sim, quando começar a formar bandas, vai ter uma mentalidade diferente”.

Ao fim, as respostas, de fato, não foram muitas. As perspectivas sim. A única certeza é de que viver uma época de tantas transformações é um privilégio de poucos. Sorte a nossa.


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