Por Bruno Maia

Movimentos culturais criam seus próprios expoentes. O Casuarina é um desses casos. Jovens que fazem samba com naturalidade e que emergiram do renascimento da boemia do bairro carioca da Lapa neste início de século. Depois de cinco anos, já são considerados expoentes de uma geração.
Em meio a artistas contemporâneos que atualizam o samba com uma nova roupagem, o Casuarina trabalha com uma sonoridade mais voltada para o formato tradicional do gênero, com violão de sete cordas, bandolim, cavaquinho, percussão e voz. O repertório do grupo, que se apresenta desde 2001, foi moldado à luz de uma vasta pesquisa por canções menos conhecidas, mas não menos ricas, de verdadeiras entidades do samba. O quinteto foi garimpar na obra de Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Nélson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Ataulfo Alves, Sidney Müller, Dorival Caymmi, Pixinguinha, Candeia, Adoniran Barbosa, entre outros, pequenas pérolas que, se outrora foram esquecidas, agora redescobertas, ajudam a sedimentar a estrada da renovação deste gênero.
Iniciando o processo de produção do segundo álbum, o grupo passou a se preocupar em incluir composições próprias no repertório das rodas de samba que promove. Essa deve ser uma das marcas do show no Humaitá Pra Peixe. “Apesar de sermos um grupo de samba, todos os integrantes do Casuarina gostam e sempre freqüentaram o festival. Como o público do HPP é aberto, disposto a ouvir novos sons e novos estímulos, será a oportunidade ideal para tocarmos mais músicas nossas”, avalia o vocalista João Cavalcanti.
O segundo disco, prometido para 2007, deve continuar a trajetória ascendente do grupo, depois que o primeiro recebeu ótimas críticas e indicações a prêmios importantes. O começo da nova fase será numa noite de puro samba, junto com Edu Krieger, outro expoente da nova geração carioca, no Humaitá Pra Peixe.