Por Joca Vidal

Edu Krieger faz parte da “nova geração” de sambistas da Lapa, mas não pense que ele começou sua carreira debaixo dos arcos. Ele é apenas um dos responsáveis pela revitalização do bairro mais boêmio da cidade. “A Lapa se tornou uma vitrine para que novos talentos possam mostrar seus trabalhos. Através dela muita gente boa vem ganhando visibilidade”, diz Krieger, que destaca como membros dessa “nova geração” Alfredo Del Penho, Pedro Holanda, Rodrigo Maranhão e Nilze Carvalho. “Mas tem muito mais gente”, é claro.
Este carioca de 32 anos, filho do maestro Edino Krieger, começou a ter destaque em 1997, quando ganhou o Prêmio Shell de melhor trilha para a peça "O Auto da Compadecida". Hoje, depois de ter tocado muito forró pelo Brasil (com o grupo Paratodos), vem obtendo merecido destaque com suas rodas de samba e choro acompanhado de talentos como Roberta Sá.
No palco, com seu inseparável violão de sete cordas, Edu apresentará músicas próprias do seu elogiado primeiro cd. "A lua é testemunha", que vem sendo bem executada nas rádios especializadas, e “Temporais”, que conta com a participação de Geraldo Azevedo, também compositor da música. Além disso, possíveis releituras de Chico Science e Pixinguinha não estão descartadas.
É dele também "Ciranda do Mundo", conhecida pela galera do HPP através do Bangalafumenga, Pedro Luís e A Parede e agora pelo mundo na voz de Maria Rita. “Fiz esta canção há tempos, já tem mais de dez anos. Estava rolando aquele clima meio pré-apocalíptico de virada do milênio, papo de Nostradamus. Então eu fiz uma canção cuja temática é uma celebração da vida e da esperança, porque o mundo roda sem parar, é como uma ciranda contínua”, diz o artista que costuma compor quando está dirigindo ou no banho.
“Ser escalado para o HPP é uma honra. Tanta gente começou lá... É um festival que reconhece e premia o esforço do artista independente”, diz Edu, que estará no Sérgio Porto acompanhado por teclados, sanfona, guitarra, flauta e dois percussionistas.