Por Bruno Maia

Calma. Não se trata de mais uma cantora querendo misturar eletrônica com música brasileira. Não é isso. O trabalho de Érika Machado é, sobretudo, imagético. Mas calma, de novo. Não é mais um desses artistas com trabalhos concentualóides, esquisitões. Érika abusa do conceito de canções, daquelas pra tirar o velho violão de traz do armário e cantar em casa.
Formada em artes plásticas, ela vinha fazendo trabalhos nessa seara até resolver gravar um disco, dentro do próprio quarto. Usando as novas ferramentas de comunicação, a criatividade e as referências estéticas que trazia da vida de artista plástica, Érika montou um esquema bem bacana ao seu redor. “Depois de gravar o disco no meu quarto, em 2003, eu coloquei pra vender com uns camelôs de Belo Horizonte, no esquema de consignação. Consegui vender 750 cópias e começaram a surgir mais shows”, conta a cantora, com seu jeito tímido, bem mineiro. Nas primeiras apresentações, ela utilizava o próprio quarto como cenário. “Eu tinha que desmontar tudo, levar para o show, remontar meu quarto no palco e depois levar tudo de volta para casa”.
Érika considera o trabalho musical como uma extensão da comunicação. “Hoje em dia, são as artes plásticas que vêm como extensão do trabalho que eu faço com música. No início era o contrário. Pra mim, não importa a forma de mostrar a idéia.”, explica Érika. Ela deixa claro que, ao contrário das cantoras emergentes de sua geração, sua preocupação está além de só cantar, tocar e compor. Érika faz questão de participar artisticamente de todas as áreas que a música pode lhe permitir preencher. O site, pensado por ela, é um exemplo disso: além de ser bem bonito, dialoga esteticamente com a obra musical.
Depois de se apresentar em um evento na principal praça da capital mineira (a Praça da Liberdade), recebeu o conselho de tentar inscrever o trabalho em uma lei de incentivo à cultura. Depois de conseguir a aprovação, ela começou a produzir seu primeiro disco e convidou John Ulhôa, guitarrista e principal compositor do Pato Fu, para produzi-lo. “
No cimento” foi lançado em julho de 2006, com distribuição da Indie Records.